domingo, 27 de setembro de 2015

Inéditos & Inacabados na Casa Amarela, 26 de setembro


Foto de Daniel Carvalho
2 textos de Mário Neves para o Inéditos & Inacabados: 
A VIDA TEM SUAS QUEBRADAS
CABE A NÓS CONSERTAR
  A vida não é uma linha reta e às vezes ela se parte em pontas quebradas. ela tem um traçado irregular imitando a crosta terrestre com seus montes, vales e depressões.  Alguém disse um dia que a linha da vida tem que ter seus altos e baixos, em linha reta ela significa morte, igual indica as linhas de um eletrocardiograma.
  Se por um lado a vida é um privilégio, por outro ela é uma arte para cada um de nós, onde é preciso equilíbrio, compensações, ajustes aqui e ali para torná-la palatável.
 Temos que dar maior importância na tela da vida, para os dias mais brilhantes e assim encobrir as horas sem cores. As passagens e locais sem luz devem  perder sua força para momentos de alegria e grandes emoções. As quebradas e extremos vividos devem ser motivos e um desafio ao sucesso. Os desencantos da alma e o distanciamento dos pés um sério aviso que só vive aquele que não cruza os braços esperando  tudo acontecer por si só. As horas de sede sem água, amargas sem o doce devem ser o desconforto que nos move e nos põe a andar. Água parada perde a vida e assim também nós.
 Os oceanos são maiores que os mares e as facilidades da vida em maior número que as dificuldades, deixem, pois suas emoções mais gratificantes afogarem as páginas quebradas da vida, assim como os oceanos se quisessem, poderiam engolir todos os mares da terra.
 Nas quebradas da vida não deixe se quebrar nunca!

VIDA SE APRENDE VIVENDO!
O que é mesmo a vida?
Ela é nossa grande viagem
Da qual temos a passagem,
Não de volta, mas só de ida.

Avida é nossa melhor escola,
Onde aprendemos lição ou não
É um prêmio, não uma esmola,
É plenitude no pulsar do coração.

Pode ser ou não uma linda estrada,
Margeada por ervas doces ou amargas
Ter o céu azul ou nublado na jornada
Com sendas estreitas, ou ruas largas.

Vivi quebradas em minha vida
Descendo aos confins do inferno,
A vida já quebrou a minha cara!
Mas meus sonhos de menino,
Brinquedos quebrados pelo destino,
Consertei em emoções raras!

Procuro reviver meus melhores dias,
Subindo em êxtase aos céus
Nas asas dos sentimentos mais puros!
Acumulando reservas para tudo,
Fazendo desta energia
um escudo
Para vencer os instantes mais duros!


2 textos de Enide Santos para o Inéditos & Inacabados: Endereço: Quebradas
Não são só as folhas das árvores
Que aqui o vento assopra
São as luzes assutadas
Das curvas, dos becos, das portas.

Não são apenas águas de março
Que aqui rolam pelo chão
São as águas das faces
Dos pivetes em construção.

Não são somente os gritos das crianças
Que brincam com fuzis nas mãos
São também os gritos dos adultos
Carregando mais um caixão.

O relógio já marca
Está na hora de acordar.
A visão ainda embaça.
Mas é preciso me levantar.

Da noite ficou o som da goteira
Que não me deixa desligar
E de olho nos moldes do barraco
Figuras de arte me proponho criar.

O contorno da janela
mais parece um v
E da fresta entre as tábuas
O medo ousa me ver.

É, a goteira insistiu
Meu sonhos tentou interromper
Mas a saga do dia também persistiu
Porque outro endereço eu quero ter.

xyzxyzxyzxyzxyzxyzxyzxyzxyzxyzxyzxyzxyzxyzxyzxyz


Quem?
Dança com as noites,
sem sair do lugar.
E a chuva já passada,
ainda a faz respingar?

Molha as flores,
que aina vão brotar.
E lança-lhes perfumes,
que exalam pelo ar?

Quem...

Abstrai da luz,
gotas de escuridão.
Só para valorizar,
a força do clarão?

Seduz no grito,
sem nem um som ecoar
E com um único suspiro
retém a água do mar?

Quem...

Arranca da flor a
a alma em dor,
E embala nos braços
a pureza do amor?

Doravante poeta
Dá-nos letras a recitar
E formosos poemas,
para a voz embargar.

Texto de Alba Atróz para o Inéditos & Inacabados: MOTE Voltarei a resgatar-te, ó quebrada, do progresso opressor. GLOSA Pela janela de um ônibus vou recolhendo teus cacos E do atroz corrupto te escondo E tuas riquezas são reconstruídas a partir de minha memória em teus escombros E num muro de luta te pinto, te grafito, reacendo teus traços E resistimos juntos às vertigens e aos maus tratos E, no despertar à margem, continuamos mostrando teu pregresso valor E a importância de superarmos todo este terrível estupor E quando tuas relíquias reaparecerem maltratadas E em tua terra esteja tua história e uma flor, à sombra, num campo, pisoteada, Voltarei a resgatar-te, ó quebrada, do progresso opressor.



Poema de Daniel Carvalho para o Inéditos & Inacabados: 
O vento corta como uma foice
Jaqueta fina, calça que não serve no irmão
 Chinelo, sem meia
 imagina a pressão.
 Entro num fast food

Tô com fome e preciso levar grana pra casa
 Mas ali só tem gente rude comendo
"Dar grana pra moleque folgado, pra que? Não sou obrigado!"
 Vai vendo
Peço uns trocado
Mas na mente dos cara sentado tá escrito:
Mas na fala, a forma é diferente
Me sinto culpado, nem sei de que!
O recado é dado no olhar indiferente
Mas só partilho 
Sorrisinho sem graça e hipócrita na boca:
"não tenho grana hoje, filho"
E assim eu trilho
da mesma dor
"sustentar vagabundo não vou,
com quem é da quebrada
Pros outro, nóis não é nada
A moeda nem é dada
Mas a ideia errada é lançada:
Sei lá, meu,
cadê o pai dessa criança?"
Ae, também faço essa cobrança!
Mas ele tá preso
Isso que me deixaram de herança
"Mas e a mãe?"
Não tenho patrão, mas tenho minhas meta
Quem tá pedindo ajuda não é ela, sou eu!
Passo de mesa em mesa
Mas já naquela certeza do não
Preciso ajuda a sustenta meus irmão
O trampo na rua é maçante 
Tá vendo como no bagulho tenho responsa?
E você aí na desconfiança.
Trampo na rua, jão
Nem tenho tempo de estuda
Nem cabeça pra pensa
Que a escola é importante
O desejo de vingança em mim se cria
Enquanto os moleque da sala tem tempo de jogar video game e fazer lição
Minha mãe não tem grana pra botar um lápis e borracha na minha mão.
Realidade dura e fria
Os moleque me zoando na escola
Só porque vivo pedindo cola
Também quero andar nos pano
Acham que sou burro, idiota
Talvez eu seja
Mas minha melhora ninguém almeja 
As prof dizendo que não tenho esforço
Vô ter que fazer reforço
Dizem que vou chegar no fundo do poço
Também tenho meus sonho
Ainda sou criança, suponho
Sair como? Minha vida nem tem poesia.
Não é isso que dá valor ao ser humano?
Então, por isso comecei a andar com uns mano aí...
Tô fazendo coisa errada
Eu sei
Mas também quero vida de rei...
A realidade da rua convida
à conduta da intriga, da ira
Dizem "sai dessa, é fria"
faça chuva, faça sol
E nem me venha com ladainha se meritocracia
Qual é a tua?
Trampo vendendo bala na rua
Enquanto vc sai de carro pros rolê
Pra vc vê
Cadê a meritocracia?
Não é o esforço que faz a pessoa crescê?
Então, tio,
trampo no frio, olho uns carro,
vendo bala no farol
to na correria
Tá roubando a infância de um menino
mas a recompensa de mim se distancia
fala, jão, como saio dessa?!
fala, caraio, por que tô nessa?
meça seu preconceito, parça
porque por nóis não há quem faça!
Relaxa, jão, não vô te roba
Mesmo você miguelando aí o que vai sobra.
Quem tá roubando aqui é a sociedade,
É a tua indiferença!
E parece destino do oprimido parecer o assassino.
Quem mata aqui é você, pobre burguês, da classe dominante
É o seu olhar de desprezo, arrogante.
o grande inquisidor 
Da minha sentença


Poema de Akira Yamasaki para o Inéditos & Inacabados: jardim de hideko - 27
quando ela chegou veio tão destruída por fora e por dentro,
tão cansada de tudo e todos, que ao primeiro indício de que
seguidos, o justo e áspero sono da sua viuvez;
estava a salvo na sua nova casa deitou e dormiu seis meses

quando afinal acordou do seu incomum inverno, a sua face
estava serena como se tivesse durante a travessia do seu
página de luto e dor;
extenso sono de novos sonhos, apagado para sempre sua

neste dia ao acordar não sorriu nem chorou, não perguntou
nada nem amaldiçoou deus por sua cota de sofrimentos e
e cheiros dos seus tempos de menina e um velho chapéu de
perdas e apenas vestiu um avental encardido de lembranças
palha eu vou para maracangalha;

então comprou pás, enxadas, tesouras de jardinagem e luvas
de pedreiro e com algumas plantas e paciências trazidas da
cabeça porque entendeu que era a hora correta para curar o
casa antiga começou a inventar um jardim sem pé nem
coração torturado de um poeta doente




Texto de Rosinha Morais para o Inéditos & Inacabados: Sobre Maioridade
Meu medo não está na criança
Nem está no adolescente
Eles não têm segurança
Em sua maioria, são carentes

Você fala sobre a redução
Que não fazê-lo é loucura
Experimente melhorar a educação
E fazer mais pela cultura

Os jovens vivem numa corda bamba
Sem nenhuma perspectiva
Veem os pais vendendo muamba
E apanhando da vida

Numa sociedade de desmandos
Retrato de qualquer novela
O preço, pago pelo rico malandro
Terá seu soldo quitado nas favelas


Texto de Joel Filho para o Inéditos & Inacabados (Joel não ficou no encontro, por conta de outros compromissos, mas deixou o texto para que sua mãe - Rosinha Morais - fizesse a leitura):
Se a Quebrada
Assim está e todos sabemos
Por que ninguém a conserta,
A quem interessa que exista
Uma parte da cidade
Quebrada?

2 poemas de Sueli Kimura para o Inéditos & Inacabados:

É noite
Ecoa o som das quebradas
Amanhece
O eco permanece

=*=*=*=*=*=*=*=*=*=*=*=*=*=*=*=*=*=*=*=*=

Um tiro
Asas quebradas
Um rodopio
Dor 



Texto de Gilberto Braz para o Inéditos & Inacabados" (O Gilberto não participou do encontro, por conta de outros compromissos, mas deixou o texto no Facebook, de onde roubartilhamos para degustação de todos): Vozes



Eh, São Miguel, também tem ladeira!

somos morros de formação recente

em sedimentos de histórias ancestrais

uma cidade à parte, uma vontade a mais
uma voz presente, outra quebrada
uma mão na frente, a outra atrás
aqui é um mundo à parte, outra pegada.

Eh, São Miguel, também tem ladeira!
o grande caldeirão a levantar poeira
com seus braços abertos feito um cristo
a salvar aqueles que não têm nada com isto
a abraçar seus filhos de outras mães
os seus filhos de santo
os seus filhos das putas
na mesa de todas as festas
no ventre de todas as lutas

Eh, São Miguel, também tem ladeira!
aqui é um mudo à parte
outra pegada
uma voz presente, outra quebrada.



3 haicaos de Escobar Franelas para o Inéditos & Inacabados"
I - a vida acontece a muitos.
quente, forte, revirada
agridoce, desengarrafada

II - noite longa, insaciada
tarde: leve mente alcoolizada
a vida - aos cacos - atrasada

III - nas vilas, ruas, vielas
o dia acende o sol
faiscando nas garrafas



Resumo geral de Rosinha Morais para o Inéditos & Inacabados (Rosinha foi a mediadora deste encontro, que teve um aquecimento inicial com Sueli Kimura)

Após uma breve apresentação de textos sobre “Quebradas”, assim aconteceu a quarta edição do Inéditos & Inacabados.

1 – Rodada de leituras aberta  por Enide, com o texto: “Endereço : Quebradas”, trazendo a visão interna, de dentro pra fora da quebrada.
2 – Seu Mário introduziu um texto completamente inédito em relação ao tema, trazendo a “quebrada” com uma visão espetacular, sobre o quebrar do viver e seus aprendizados.
3 – Daniel quebrou tudo com um poema, que embora ele sublinhasse, estar trabalhando com um tema que não era do seu perfil, usou a profundidade para tirar qualquer artificialidade do assunto, dissecando a questão social, indo ao cerne do problema ou da realidade que ronda os moradores das “Quebradas”.
4 – Leitura do texto do Joel Filho. Poema curto, mas impactante. Criando ou quebrando elementos. Burilando com o conceito. Inquietando.
5 – Rosinha Morais – (?)
6 – Sueli Kimura – Os textos da Sueli vêm surpreendendo cada vez mais, de uma forma maravilhosa, sintetizando a força da poesia, em pequenas pérolas (Como comparar um quilo de algodão com um quilo de ouro, o peso é igual, mas os volumes e valores apresentam grandes diferenças).
7 – Alba Atróz – Veio nos oferecer uma viagem por todo o contexto “quebrada” – Utilizando a figura da desconstrução para edificar novas caracterizações, mantendo como ponto forte a resistência, o continuar.
8 – Akira trouxe o poema Jardim de Hideko 27 e conseguiu estruturar a quebrada, comparilhando um pouco da sua intimidade e mexendo com a emoção de todos.
9 – Escobar apresentou mais alguns dos seus textos minimalista, de profundos significados e múltiplas interpretações.




Inéditos & Inacabados - Resenhas de Rosinha de Morais e Daniel Gtr


“Quebradas”
Esse foi o tema do Inéditos & Inacabados, roda de leitura crítica, projeto da Casa Amarela idealizado e realizado pelo poeta e amigo Escobar Franelas.
“Quebrada”, foi como eu me senti quando ele fez o convite para que eu fosse a mediadora da vez. Era muita confiança e eu não sabia se estava à altura de tal. Confesso que eu tentei algumas desculpas para declinar de uma maneira sutil, mas meus argumentos foram sutilmente rechaçados (tá, talvez não tão sutilmente, quando ouvi uma discreta ameaça que a mediadora convidada poderia não comparecer por, quem sabe, uma perna “quebrada”(?) rs.)
Diante dessa fé em minha capacidade, eu só podia enfrentar a tarefa. Acho que consegui.
Obrigada, Escobar!
Obrigada, Sueli!
Gratidão a todos que acreditaram que eu seria capaz. Aprendi muito, o que sempre acontece com cada um de nós que participa do Inéditos & Inacabados. Como disse a Enide, o EU de cada um se transforma no NÓS e engrandece o SER.

Rosinha Morais


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O Inéditos & Inacabados, roda de leitura da Casa Amarela, idealizado pelo grande parça Escobar Franelas, tem sido para mim a água que rega minha criatividade.
Dentro dos muros cinzentos, é tão difícil fazer uma poesia desabrochar. No entanto, graças a esses encontros, aos poucos, continuo construindo meu jardim de poemas.
O encontro tem a seguinte pegada: um tema é escolhido, um poeta é mediador e nós compomos algo sobre esse tema estipulado. Meus últimos poemas - "Julgamento do Óbvio", "Virtudes", "Poema aos coríntios" e o "rap" sobre o menino que vende balas no farol - germinaram em minha mente a partir dos desafios poéticos propostos por Escobar.
Além da água que faz sobreviver os restos de poesia, a Casa Amarela conta com verdadeiros jardineiros que me ensinam a cada encontro. Lá, no Inéditos & Inacabados, vivencio um grande test-poem-drive. É lá que apresento pela primeira vez meus textos, a fim de saber sobre suas falhas, acertos, limites, fruição, entre outras coisas.
Lá é onde começam a crescer as mudas de meu jardim poético, é a escola que aprendo como plantar, é o lugar para os amigos poetas encontrar.
Gratidão a todos pela recepção tão carinhosa, pelas dicas, críticas e comentários feitos sobre cada poema apresentado. Obrigado, Casa Amarela, por transformar meu jardim em aquarela.

Daniel Gtr

domingo, 13 de setembro de 2015

Lançamento de Amador, livro de estreia de Rafael Carnevalli






Foi uma surpresa além do inesperado a festa de lançamento do primeiro livro do poeta Rafael Carnevalli, na Casa Amarela - Espaço Cultural, na tarde fria a garoenta da Samplândia, um sábado marcado como dia 12 de setembro de 2015, quase primavera.
Que eu já esperava uma variedade de boas surpresas, isso não nego. Quem sabe da militância e das amizades firmadas pelo jovem de 26 anos que administra multitarefas no ambiente poético da zona leste (especialmente São Miguel), já poderia deduzir que viria coisa boa no evento. Mas veio muito, muito mais.
Abrindo espaço para bróders, sisters e outros chegados que vieram celebrar o nascimento de sua obra, o palco da CA ficou encantado pelo número encantatório de gente talentosa e de bem com a vida que por lá desfilou com suas artes: colou na área o Edilson Borges (popular Lobinho), Bianca Guedes, eu, o Akira Yamasaki, Mateus Pimentel, Jaqueline Alves, Bruno Slaikow, Alef, Tayla Fernandes, Luka Magalhães, Punky Além da Lenda, Yuri Cortez e Felipe Cupertino, além do violão e da explosão esperta de Luck Vas, que fechou com chave de ouro um evento que nasceu grande antes mesmo da gestação. 
Uma tarde&noite inesquecíveis e infinitas no culto à deusa Poesia! 
Amador é a primeira incursão de um poeta que promete e cumpre muito: Rafael Carnevalli: quem viver, lerá! 
- Namaslê!

texto de Escobar Franelas
fotos espertíssimas de Luka Magalhães

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Inéditos & Inacabados - roda de criação literária (julho)

Convite feito por Luka Magalhães

4 textos de Inês Santos

2 propostas de leitura feitas por Luka Magalhães


Texto de Escobar Franelas: "7ª Carta Crônica"

Era uma sexta...
Às vezes fico me perguntando porque nas fatalidades a gente fica impedido de dar um tchau, um beijo, um abraço, ao menos um aperto de mão. Amanhã fará quatro anos. 4 anos... e eu só pude fazer um gesto qualquer com as mãos, bem depois, na campa fria sob a névoa fina; só isso... a materialidade carne não conversa com o corpo diplomático evanescente.

Houve um domingo...
Ainda bem que antes eu passara com o Zuza lá, e pudemos rolar aquele dedinho de prosa que gostávamos muito. Eu não sabia, você não sabia, ninguém sabia, mas foi ali que nos despedimos sem nos abraçar, foi naquelas poucas horas que fizemos juras de amor sem saber, e foi por causa daquele dia, naquelas horas (oh, como é duro ser objetivo sem ser piegas nessas horas!...), que descobri que o amava, mais do que eu imaginava, mais do que você poderia supor. Pois o amor maior só se revela fora de seu tempo presente. E foi como presente que interpretei esse jogo de dados que "ao deus-dará", jogamos no tabuleiro da vida.

Na quinta...
O Preto não falou tchau, também não teve essa sorte. Tampouco a Raquel que, muda, fez lindos versos de amor devoto. Estávamos dançando a música do cotidiano - como você gostaria que fosse, disso eu sei - quando a microfonia acusou o fim do baile. Que baile(?)(!) Acabara o tango. Você se retirara da pista de dança.
Fiquei ali, atabalhoado, parvo, cara no nada, rosto contrito, sem visão ou audição, sem olfato ou paladar, o tato apenas para esculpi-lo na sua própria pele fria, e só. Nada tinha a acrescentar, o script já estava sendo escrito à revelia, e a mim só restava o vapor das horas, os minutos se (e "me") consumindo, até que se passasse aqueles momentos e esses anos todos, com uma saudade feroz, que eu - tolo! - achava que seria abrandada. Que nada! Só aumentou!

Era dia do meu aniversário! Ainda assim, obrigado, pai!


segunda-feira, 27 de julho de 2015

Trinca de ases no Sarau da CA: Ana Cláudia Marques, Clayton de Souza e Daniele Carbonera

MC Akira clicado pelo Idevanir Arcanjo
Ana Cláudia Marques, poeta com veludo nas cordas vocais
Parte do público lindo da CA flagrado pelo olhar atento de idevanir Arcanjo
A obra visceral de Daniele Carbonera
Éder e Lígia: delírio sonoro anotado por Idevanir Arcanjo
Tiveron: simpatia musical eternizada pelo olhar de Idevanir Arcanjo



1. Regional "Toca do Choro"
2. Ana Cláudia Marques
3. Daniele Carbonera
4. Clayton de Souza
5. João Maloca
6. Jorgina
7. Santiago Dias
8. Mauri de Noronha
9. Ligia Regina e Éder Lima
10. Enide Santos
11. Euflávio Madeirart
12. José Pessoa
13. Akira Yamasaki

14. João Caetano do Nascimento
15. Jose Carlos Guerreiro
16. Silvio Kono
17. Canindé Medeiros de Lima
18. Alexandre Santo
19. Carlos Bacelar
20. Arnaldo Afonso
21. Mário Neves
22. José Darc Maya
23. Tiveron
24. Pérola Negra
25. Escobar Franelas
26. Punky Além da Lenda (exposição de artes visuais)

Este a seleção que subiu ao palco no 36º Sarau da Casa Amarela no domingo, 19 de julho.
Ana Cláudia Marques trouxe "O poente, o poético e o perdido", livro absurdamente gostoso de se ler, com sua pérolas imantadas de uma poiésis que bem merece um "P" maiúsculo; além da voz inebriante e o humor contagiante, uma simpatia natural que extravasa qualquer linguagem, sendo apenas e tão e somente sensação: sensação boa, de paz, de aconchego, de serenidade...
Também o professor e escritor Clayton de Souza veio com seu "Contos juvenistas" para ser relançado na CA. Clayton, que também é colaborador do jornal Rascunho (PR), um dos melhores - senão o melhor jornal de literatura do Brasil - nos apresentou sua prosa sensível cujo mote é o protagonismo juvenil. Plantou um bosque de saudades cujos frutos vamos colher nas folhas de sua obra.
Daniele Carbonera, heterônimo poético de Laércio da Silva, veio para a CA com sua nova obra, "Attacca mezzo forte incontido", um flerte da poesia com a Filosofia. Ouvi-lo recitando um trecho de sua obra foi um voo alto, em que suas asas levou-nos desde uma antiquíssima Grécia até o abismo da pós-transvanguarda, ou algo próximo dessa terminologia, se há.
Junte-se a participação especialíssima do regional Toca do Choro - a cereja do bolo - aliás, lembrando que a voz de cristal de São Miguel, o inimitável Pérola Negra fazia aniversário nesse dia, a presença marcante do cantador Mauri de Noronha, o catalisador de emoções Santiago Dias, a inspiração canora de Lígia Regina e Eder Lima, a presença inédita do jornalista Idevanir Arcanjo - São Miguel é um recanto do céu, com seus múltiplos arcanjos! - os bolos, os salgados, os doces, o café da Rosinha Morais, o sorriso indefectível da hostess Sueli Kimura... e tudo, tudo, absolutamente tudo, fica mais bonito nos domingos em que tem sarau na Casa Amarela.
Obrigado, Akira, pela ideia feliz de criar a nossa disneylândia poética uma vez por mês...
Tim-tim!

* Eita! E olhe que esqueci de falar da exposição dos trabalhos visuais do Punky, grafiteiro de mão cheia (e colorida) das bandas do Itaim, que espalha cores, sorrisos e humor por onde passa. Só pra reparar a mancada, Punky, a exposição, que ficaria até 31 de julho na Casa Amarela, agora vai ficar até 31 de agosto. Confere, produção?
A turma "amarela" no clique final de Ivanir Arcanjo
CD com a música de Ana Cláudia Marques, mimo sorteado durante o sarau, em foto de Lígia Regina
Clayton, saudado por mim, e clicado por Lígia Regina
A capa de Contos Juvenistas, fotografada por Lígia Regina
Daniele Carbonera lendo trecho de seu tratado poético-filosófico, clicado pela rapidez de Lígia Regina
A capa antológica da antologia de Ana Cláudia Marques, em clique de Lígia Regina
Toca do Choro, "cereja do bolo" que não escapou do clique de Lígia Regina


quarta-feira, 22 de julho de 2015

XXXVI Sarau da Casa Amarela - Resenha de Ana Claudia Marques


Era um domingo de julho. Um convite, há muito feito, havia sido aceito por mim, e eu desembarquei na Casa Amarela, em S. Miguel Paulista, lá pelo meio da tarde, acompanhada de marido e filho. Fui recepcionada por Akira Yamasaki e por Escobar Franelas, poetas de mão cheia e articuladores do Sarau da Casa Amarela.
Nos conhecemos – os três – através de Marciano Vasques, um ser humano de coração do tamanho do mundo, que uniu vários escritores numa antologia poética, em 2013. Desde então Akira vem me convidando para ir ao Sarau. Do outro lado da cidade  – eis a medida inexata da nossa distância. Foram necessários dois anos e um convite oficial para que eu chegasse àquela Casa.
Não havia percebido, até Akira começar a me apresentar, que eu era sua convidada especial. Especial, para mim, havia sido o convite! Relancei meu livro, O Poente, o Poético e o Perdido, em meio a muita gente atenta e afetuosa. Contei um pouco de minha trajetória e do nascimento deste livro, declamei alguns dos poemas, e cantei algumas músicas.
Conheci muitos outros bons artistas, das letras e dos sons; comi muito bolo de fubá delicioso, tomei o quentão da Rosinha, recebi o grande sorriso da Sueli, mulher do Akira, e zilhões de abraços e palavras maravilhosas de todos os que participaram do Sarau.
Tive a honra de fechar o evento com um grupo de chorinho fantástico o Toca do Choro, cantando Carinhoso. Emoção pura! Tudo ali transbordava: arte, amor, cuidados, amizade. Me senti acolhida, valorizada pela amizade de tão ilustres compadres de letras e música.
A vida é feita de momentos. Mas há momentos, como este, que fazem valer toda uma vida…
Ana Claudia Marques é poeta, cantora e compositora e esteve na Casa Amarela lançando seu livro 'O poente, o poético e o perdido'

quarta-feira, 24 de junho de 2015

XXXV Sarau da Casa Amarela



foto Altemira Rodrigues

Nas palavras de Mario Neves
Parecia miragem, mas foi real. Vejam a foto, parece impossível que um bando de artistas deste possa ter galgado o palco da Casa Amarela, em pouco mais de quatro horas de uma tarde-noite de domingo para apresentar a sua arte poética e musical.

Estão todos de parabéns, pela presença, pela amizade, e por suas apresentações. Mas tem algo que precisa ser dito que foi marcante e natural neste encontro poético, foi a manifestação espontânea da ala feminina, logo chamadas de “peroletes”, que acenando os braços aclamavam e pediam bis ao extraordinário cantor Perola Negra.

Sim parecia irreal, mas aconteceu e eu estava lá. 

Na cidade havia um grande evento, a já tradicional Virada Cultural, mas na Casa Amarela teve uma revira-vira virada cultural que nada ficou a dever e que com alegria e orgulho eu pude participar.# Se não falei tudo, falei o que pude.
Mario Neves


















Nas palavras de Silvia Maria Ribeiro
No Sarau A Casa Amarela - Espaço Cultural, 35º ontem, Ademir Assunção, Francis Gomes, Eder Lima. Ligia Regina,João Caetano Do Nascimento,Gilberto Braz, Enide Santos, Escobar Franelas, Luka Magalhaes, Euflávio,Jose Pessoa, Punky Além da Lenda, Edvaldo Santana, Joaquim Lima,Francisco Americo,Beto Rios, Edinho Twin, Mario Neves, as "filhas" do Padre Grilo e o precioso, mais que querido, Valdomiro Ferreira, o Pérola Negra, promoveram um delírio coletivo! Santo-daime o quê? Foi a poesia, a alegria, a energia,e a amizade! Vida que segue mais enriquecida a cada encontro. Viva!
Rosinha Morais, Sueli Kimura, Akira Yamasaki, Inês Santos, Tereza Por Tereza Magalhaes, Joel Dias Filho, Janete Braga Od Larama, Wagninho Barbosa...
Coreografia: Peroletes! 

Silvia Maria Ribeiro