terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

baita sarau



foi um baita sarau, um sarau de baitas. um sarau de poetas
e compositores da raça dos baitas. foi mais uma comovente
e arrepiante celebração da alegria, da paz e da amizade sob
o signo da poesia e da música. foi o 20º sarau da casa
amarela que aconteceu ontem – 09/02/2014 e teve como
convidado especial o genial cantor e compositor ceciro
cordeiro, poeta essencial da estirpe dos baitas. foi sob um
calor escaldante de cerca de 40 graus e embalados pelo
conceito de uma ação cultural entre amigos para levantar
uma grana para a casa amarela que dezenas de artistas do
bairro de são miguel paulista e de outras regiões da zona
leste reuniram-se para gravar o 1º cd do sarau da casa
amarela, com poemas e canções captados ao vivo no sarau
de ontem e no do mês que vem, o 21º. foi emocionante e
inesquecível e sei que vou cometer a falta de educação de
esquecer alguém mas preciso dizer muito obrigado a todos
que participaram deste evento e por isso vou dar nome aos
bois. então lá vai: obrigado, Escobar Franelas, Ligia Regina,
Célia Yamasaki Silva, Eder Lima e Francisco Xavier; obrigado
João Caetano Do Nascimento, Lucas Kabral, Luka Magalhaes,
Manogon Manoel Gonçalves, Ronaldo Ferro e Sandra Frietha;
obrigado, Ceciro Cordeiro, Selma Sarraf Bizon, Costa Senna,
Juliana Neves Pedro, Brenner Paixão, Rafael Carnevalli e
Veronica Lopes, muito obrigado; Selma Bento Baia, Tiao Baia,
Seh M. Pereira, Solange Kono, Clarice Yamasaki, Inês Santos,
Jorge Gregorio Gregorio, Joaquim Lima e Francisco Americo;
muito obrigado mesmo, Celia Maria Ribeiro, Carlos Bacelar,
Gilberto Braz, Alberto Luiz Rio Franchi, Caroline Schneider,
pérola negra, joãozinho, Marcel Acauam, Romildo de Souza
e Lucas Afonso; obrigado, Drica Campos, sidney kitagawa,
Andrea Ferraz de Campos, Carlos Alberto Rodrigues,
Henrique Gabriel Lima, Carlos Roberto Scalla, Sueli Kimura,
Mano Cabelo Titchosman, vagninho e gildo passos; e o mais
especial obrigado às pessoas aos quais esqueci de mencionar.
obrigado mesmo, todos vocês são da laia dos baitas.

 akira - 10/02/2013

foto: Francisco Xavier

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

20º Sarau da Casa Amarela - como foi?

Ceciro Cordeiro,  atração especial do 20º Sarau da CA (foto Xavier)


Mais de 100 pessoas. Umas chegaram antes mas foram embora no meio. Outras chegaram na metade e foram embora depois do fim. Muitas chegaram depois e saíram antes. E muitas, muitas outras chegaram antes e foram embora bem depois. Não importa. Foram 4 horas de evento no caldeirão da Casa Amarela. Quem resistiu, comeu as cerejas do bolo. Quem insistiu, também participou do culto festivo à deusa Poesia, ao seu modo, do seu jeito, da maneira que achamos que pode ser. Foi assim o 20º Sarau da Casa Amarela.

Uma tarde de domingo, atípica, a primeira em que Hideko, mãe de nossa queridíssima Sueli Kimura, era celebrada como “kami”, como insistiu Akira na abertura. O poeta, mentor e organizador do “sarau da amarela”, lembrou que na tradição oriental ela, tornara-se flor, nuvem, sol, lua, poesia! E nós ali, capitaneados pela poesia lírica, urgente, pungente de Éder Lima, Sacha Arcanjo e do próprio Akira, rendemos nossos pensamentos à matriarca que tornou-se estrela nessa semana.  
Emocionado, o japa não agüentou o tranco e cedeu o microfone para que eu e Ligia Regina tomássemos conta do evento. Desconfio que o japa deu bala pra criança.
Fizemos, né, Lígia? Fizemos, do nosso jeito. Quer dizer, sem jeito.
O convidado especial dessa 20ª edição do Sarau da Casa Amarela era o cantor, compositor, enigmático e performático Ceciro Cordeiro. E foi assim, de forma inusitada, que ele subiu ao palco acanhado da casa, pequeno para seu tamanhão, e ali cantou e contou histórias, desde lá lonjão, quando, na década de 1970, começou a  cantarolar, influenciado pelos repentistas e pelo canto das lavadeiras de seu Pernambuco natal, cismou que queria cantar também.
A tarde avançava acelerada, na música serelepe de Ceciro, quando este cedeu seu banquinho para um desfile de pérolas e outras pedras preciosas. Atendendo ao convite, vieram Sandra Frietha, Luka Magalhães, Lígia Regina e Eder Lima, João Caetano, Alexandre Santo, Seh M. Pereira, Paulinho dhi Andrade, Gilberto Braz, Kita (do Sarau da Maria), o cordelista Costa Senna (chegando de shows no Ceará direto pra CA), mais a dupla Brener e Juliana (e seu trompete).
Da tchurma do Hospício Cultural, chegaram chegando Bruno Azenha, Lucas Afonso, Rafael Carnevalli, Daniele, Cabelo, Tiago, Karoline, Pinga, Rodrigo e Felipe.
E teve ainda Manogon, Akira, Romildo de Souza (e seu violão sempre suingado), Os Kabras de Baquirivú (Ronaldo Ferro, Joaquim Lima, Xavier, Quinho, Pérola Negra, mais a participação especial de Beto Rios), Tião Baia (com a participação especialíssima do Camacho, assinando pela primeira vez a lista de presença na CA), Gildo Passos (sempre o epicentro do carisma), acompanhado de Marcel Acauã, e eu, em algum momento que o som falhou, embromando nuns poemas dispersos, para entreter a platéia.
Não bastasse a alegria da celebração, o cantor, compositor, arranjador e produtor Lucas Cabral (parceiro do Xavier em outros projetos na Casa de Farinha), fez um belíssimo trabalho de captação de áudio para que o registro vire um cd, a ser divulgado em breve.
O Sarau também rende loas, palmas e outros xavecos aos Big Charlie, Carlos Scalla, Luka Magalhães, Célia Ribeiro, Xavier e tantos outros que nos eternizam com suas inseparáveis câmeras, que tudo veem e registram. Também endereçamos beijos, abraços e afagos à Célia e Clarice Yamasaki, além do grande e onipresente Henrique Gabriel, autêntico estafe 5 estrelas.
Quer dizer, o ano mal começou e podemos deduzir que os primeiros gols já foram feitos. E, em ano de copa do mundo, vamos lutar para que a poesia, a arte, ganhem de goleada. Invictas.

Lucas Kabral, produção de cd do sarau (foto Xavier)
 
Os Kabras de Baquirivu, atração do sarau (foto Ligia Regina)
Pessoal atento ao sarau (foto Luka Magalhães)

Arte de Luka Magalhães  para o 20º sarau da CA

Arte de Manogon  para o 20º sarau da CA









sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

E houve uma vez 2013



Anuário A Casa Amarela - Espaço Cultural 2013:

* Programa Jovens Urbanos (IPEDESH / CENPEC/ Itaú Social) - janeiro e fevereiro
- Finalização da 6ª edição do PJU, iniciada em abril de 2012 com a entrega dos "projetos jovens": Customizart (de customização de roupas e acessórios), Revitalicria (de revitalização da Casa Amarela com ênfase na sustentabilidade) e Diotéspissio (grupo de teatro surgido dentro do programa). Gestão pedagógica de Sueli Kimura, coordenação de Célia Yamasaki e atividades de arte-educação desenvolvidas por Claudemir "Darkney" Santos e Escobar Franelas.

* Programa Marginal (dirigido por Roberto Maty e Escobar Franelas)
- Websérie de entrevistas sobre arte independente.
convidados:
- Original Tigaz
- Cacá Lopes
- Éder Lima e Lígia Regina
- Thiago Augusto

* Sarau da Casa Amarela (coordenação de Akira Yamasaki)
- convidados:
Abril: Gilberto Braz
Maio: Arnaldo Bispo do Rosario
Junho: Ligia Regina/Eder Lima/Carlos Moreira
Julho: João Caetano do Nascimento
Agosto:Alexandre Buzo
Setembro: Luka Magalhães - com participação especial Eliana Mara Chiossi
Outubro: Sarau Literatura Nossa (Suzano) - com lançamento do vídeo
Novembro: Homenagem a Antônio Marcos - com lançamento do livro do artista visual Aurisdeive Carvalho "Vida e Cor - A história de uma artista plástico"

* Blablablá - Reunião de cabeças pensantes para discutir experiências, propostas e alinhamentos de idéias para questões culturais, artísticas, ambientais, educacionais, políticas.(coordenação de Escobar Franelas)
- convidados:
Carlos Galdino (poeta e produtor cultural)
Luiz Gonzaga dos Santos (cineasta)
Manogon (poeta, designer e ator)
Thina Curtis (poeta e fanzineira)
Rafael Carnevalli (poeta e agitador cultural)
Claudio Gomes (poeta e educador)
Francisco Eduardo XicoEdu Pereira (educador e gestor do 3º setor)
Ivan Neris (dramaturgo, ator e poeta)
Antonio Primus (jornalista, ator e poeta)
Fátima Bugolin (militante social)
Zé Carlos Batalhafan (poeta, historiador e agitador cutural)
Sacha Arcanjo (cantor, compositor e produtor cultural)
Rosani Abul Adal (jornalista e poeta)
Samara Costa (artista plástica e arte-educadora)
Zulú de Arrebatá (cantor e compositor)
Jocélio Amaro (cantor e compositor)
Vandeí Oliveira (poeta e educador)
Osvaldo Higa (jornalista e escritor)
Adriana Rocha (escritora)
Eder Lima (músico, arte-educador e filósofo)
Duylio Coutinho/Punky (grafiteiro e arte-educador)
Edvaldo Santana (cantor e compositor)
Edson Tomaz de Lima (militante político)
Gilberto Nascimento (jornalista).

* Estar Bem na Casa Amarela (coordenado por Sueli Kimura)
- Encontros que visam proporcionar vivências e reflexões sobre Bem Estar e Qualidade de Vida, desenvolvido com a colaboração da naturóloga Andréa Ferraz de Campos e a terapeuta Maria de Fátima Rufino e o massoterapeuta André Yamasaki.

Atividades feitas na Casa Amarela e em escolas parceiras.
* Exposições (coordenado por Escobar Franelas)
- São Miguel: Sujeito Objeto (Francisco Xavier, Vans Atalaia e Alexandre D´Lou) (abril a julho) - fotografia
- A Arte de Eder Lima e Lígia Regina (julho a outubro) – artes plásticas
- Poética Gráfica- Uma interação poético visual de Manogon (outubro a dezembro) – artes visuais

* residências teatrais:
- Grupo teatral Alucinógeno Dramático (coordenado por Claudemir "Darkney" Santos)
12/7 – Série "Encontros macabros de sexta feira" apresenta A pata do Macaco: Com Isadora Diaz, Marcos Fersil, Clara Barbosa, Mariana Santana, Thays Soares e Claudemir Santos
19/7 – Série "Encontros macabros de sexta feira" apresenta A pata do Macaco + O Corvo (Edgar Allan Poe) com Ivan Neris
21/7 – Arte Canal: Darkney + Ivan Neris + G.R.A.Ve
26/7 – Série "Encontros macabros de sexta feira" apresenta "A Pata do Macaco" + "O corvo" + "Delirium Merencória" (Bárbara Ramos e Tarcisio Hayashi)
- "Fausto de Rua" (criação e produção por AD)

- Grupo teatral Diotéspissio (dirigido por Claudemir Santos e coordenado por Marcos Gomes)
02/2 - Nozland (com Bianca Fina, João Carlos, Lucas Laureno, Natasha de Matos, Paulo César e Tayla Fernandes)
28/9 - Nozland (com Bianca Fina, João Carlos, Lucas Laureno, Natasha de Matos, Paulo César e Tayla Fernandes)

- Gravação do filme O Outro Lado (alunos do curso de Produção de Vídeo da ETEC Jornalista Roberto Marinho) - direção de Matheus Acácio e Guilherme Bueno

* Eventos externos:
- Animit - evento dedicado à cultural japonesa e coreana, realizado em 17 de novembro de 2013 nas dependências da escola Arquiteto Luís Saia, teve jogos, desafios, campeonato de cosplay e games, batalha campal, banda de j-rock e aniquiz, entre outras atrações.

- Estar Bem na Casa Amarela - Encontro dedicados à vivências e reflexões sobre bem estar e qualidade de vida, em escolas públicas do entorno e de outros territórios (coordenado por Sueli Kimura)

domingo, 24 de novembro de 2013

MPA – 35 anos: lembranças na Casa Amarela





MPA – 35 anos: lembranças na Casa Amarela

Mais de 4 horas de discussão. Mais de 70 pessoas pessoas presentes. Nem a chuva desbragada que caiu na Sampalândia durante toda a tarde de ontem foi capaz de arrefecer os ânimos de quem se dispôs a ir ao último Blábláblá do ano na Casa Amarela – Espaço Cultural, em São Miguel Paulista. O evento é uma roda de debates que ocorre mensalmente no espaço, que procura discutir questões pertinentes ao fomento, produção e difusão no universo cultural, artístico e educacional periférico.
A conversa deste sábado propunha discutir o legado das ações do Movimento Popular de Arte, que eclodiu no bairro no fim de 1978 e que até hoje reverbera suas ações e permanência no imaginário coletivo, tanto da região como de outros lugares de São Paulo e até do Brasil, conforme foi justamente lembrado em diversos momentos, inclusive pela platéia presente.
Os convidados eram Edvaldo Santana, cantor e compositor; Edsinho Tomaz de Lima Filho, assessor político e produtor (embora ele recuse taxativamente essa nomeação) e Gilberto Nascimento, jornalista. Todos egressos dos primórdios do MPA, portanto, com muitas histórias para contar.
A abertura da festa, por volta das sete e meia da noite, foi feita por Éder Lima e Lígia Regina, que conferem há algum tempo o tempero musical e poético do Blablablá. Juntos, ainda convidaram Akira Yamasaki para uma récita que já tinha sido apresentada um dia antes, durante o Sarau Literatura Nossa, em Suzano. Primeiro delírio da platéia presente.
Iniciado o debate e instado a comentar a história do grupo, Edsinho explanou com clareza alguns detalhes que nortearam o surgimento do movimento, no que foi complementado por Edvaldo, que acrescentou outras informações. Gilberto Nascimento ampliou ainda mais a abordagem, relembrando ter sido na Universidade de Mogi das Cruzes que ouviu pela primeira vez sobre um movimento que acontecia no seu bairro. Juntou-se a ele, claro!
Refletindo sobre um comentário de Akira, que incendiou o fogo brando da conversa ao citar que “faltou ao MPA a transição da ´resistência cultural´ para a ´construção cultural´”, e de Fátima Bugolin, que questionou o legado da mulher no grupo, o aceso Edvaldo discorreu que “o mundo hoje é outro, de construção, inclusive”. Antes, ainda relembrou que no papel da resistência, a severidade de muitos atos também referiam-se ao fato de que “São Miguel ainda tem muitos conservadores”, e que era (e é) preciso brigar sempre  nessa luta desigual contra o atraso e o conformismo.
Outro assunto delicado, a questão financeira, foi trazido por Gilberto Nascimento. Segundo ele, “o MPA não tinha dinheiro e no entanto conseguia pagar cachês e contas, ao passo que outras instituições, mesmo com aportes financeiros consideráveis, não lograram o mesmo êxito”. O poeta e jornalista João Caetano do Nascimento, também da militância primordial do movimento, referiu-se a este e outros fatos de forma equânime. “Ninguém passou pelo MPA impunemente”, asseverou, “ninguém saiu ileso, todo mundo manteve acesa um pouco daquela chama”.
A noite avançava, entrávamos já numa temerária terceira hora de discussões, a casa continuava a receber gente que ainda chegava para o debate, mas mesmo assim novas questões eram suscitadas. O fotógrafo Mauro Bomfim questionou o grupo presente sobre a guarda da documentação, entre outros assuntos. Arnaldo Bispo, poeta e advogado, buscou em seu discurso a significação na proativadade do MPA para entender a potência dos brasileiros “que não se resignam”, segundo palavras suas. Akira lembrou que o grupo de teatro Periferida também atuou como uma resistência interna, para que o MPA não se tornasse uma “ditadura de músicos”.
Valter de Almeida Costa, educador na rede pública e com um histórico de militância na região, apontou diversos pontos relevantes já discutidos no debate e destacou que “a história da zona leste sempre foi a de lutas da esquerda”. Zulu de Arrebatá, que tocou com Edvaldo no grupo Matéria Prima em sua fase pré-MPA, relembrou a importância de Gianfrancesco Guarnieri e Chico de Assis nas relações com os artistas de São Miguel. Edvaldo Santana, incitado por Zulu, afirmou “o MPA foi similar, sim, ao CPC, transcendendo-o em alguns aspectos.” Ressaltou, por fim, reiterando o raciocínio de Valter, que realmente “a esquerda tinha uma prevalescência na periferia, em especial na zona leste”.
Passava das onze. Muitas outras vozes ainda ecoavam no ambiente, duas femininas em especial. Sueli Kimura, uma das administradoras da Casa Amarela, voltando à questão da atuação feminina no MPA, lembrou “(nós, mulheres) somos muito pragmáticas, multifacetadas. Não me sinto menos importante nessa história militante”. E Cida Sarraf, uma das organizadoras do Sarau da Maria, complementou com argúcia, “a história de vocês (MPA) reporta à história de nós, no Jardim Brasil”. Por isso a tremenda identificação.
Tínhamos que terminar a noite brilhante. Para isso convidamos Edvaldo Santana a sacar seu violão e puxar duas músicas – uma inédita, em homenagem ao ex-jogador Sócrates, já falecido. Momentos de encantamento, com todos cantando juntos o refrão. Justamente “encantamento”, palavra cara que nos minutos antecedentes, quando muito já tinha sido se discutido sobre o papel essencial de se encantar a juventude com essas (e outras) histórias, tão ricas e complexas, as histórias do Movimento Popular de Arte, não por acaso, ainda em movimento. Como foi provado, mais uma vez, na noite de ontem.

texto de Escobar Franelas
texto de Rosilena Arruda





terça-feira, 19 de novembro de 2013

animit 2013



domingo (17/11/2013), a casa amarela / ipedesh
realizou um evento, o animit 2013, dedicado ao universo e aos fãs
da cultura anime, de origem japonesa mas que já exerce alguma
influência sobre crianças e jovens em alguns centros urbanos do
país, mais notadamente em são paulo. o animit 2013 que envolveu
a participação de cerca de 400 pessoas, entre organizadores,
expositores e público foi pensado e realizado pela galera da casa
amarela, a saber Rosilena Arruda, Sueli Kimura, Escobar Franelas
e Célia Yamasaki Silva que trabalharam feito loucos durante três
meses para colocar o evento de pé e foram ajudados nesta
empreitada por quatro jovens, a saber, o marcos costa, o renan
borges, a taís borges e a michelle almeida, que atuaram como
consultores, criadores da concepção e executores deste animit.
não vou entrar no mérito do universo da cultura anime que é
basicamente lazer e recreação mas o que posso dizer é que ontem
à tarde eu me diverti à beça e passei momentos agradáveis com a
minha família no animit 2013 e peço ao pessoal que o organizou
que não desistam deste evento porque no ano que vem quero mais.


akira - 18/11/2013










 

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Blablablá na Casa Amarela: Éder Lima e Punky Além da Lenda discutem arte e educação

Eder Lima, Punky Além da Lenda e Escobar Franelas (foto Lígia Regina)


A 8ª edição do Blábláblá, roda mensal de debates na Casa Amarela – Espaço Cultural, em São Miguel, foi uma análise arguta das questões concernentes à Educação. Tendo como convidados o grafiteiro e arte-educador Punky Além da Lenda (Itaim Paulista) e o professor, músico e artista visual Éder Lima, de Guarulhos (a outra convidada, Fabi Menassi, não pode comparecer por questões de agenda), o encontro propiciou para os participantes um agradável relato de experiências com a educação e uma rica discussão sobre possibilidades que podem ser exploradas no diálogo entre educação e arte. Incrível, mas pela primeira vez o tema foi trabalho sem os costumeiros desvios para outros assuntos. Estaremos nós aprendendo a cumprir as pautas? Ou o assunto é tão complexo assim que exigiu concentração total? Estará o mediador aqui aprendendo a conduzir a conversa? Ou terá sido uma singela combinação de todas essas coisas? Dúvidas que o tempo talvez responda.
Ao ser inquirido, logo de início, sobre a possibilidade de se desvincular arte da educação, ou o seu contrário, Eder aproveita e faz uma profunda explanação sobre a história da Educação, desde os seus primórdios, na sociedade grega. Uma aula magna, que percorre a história do pensamento humano desde os pré-socráticos até o existencialismo do século XX. E ainda avança até os tempos atuais. “Em 2007, foi adotada uma mudança curricular na escola formal a partir de um filósofo, Deleuze, que trata dos assuntos a partir das diferenças”, afirma. E arremata “a visão que o Estado teve foi de chamar os pensadores para dar um caráter rizomático para os livros adotados”.
Punky, abordado sobre sua história de vida, entra ´de sola´, “tudo o que aprendi foi por aí. Eu ficava ´caçando´ pessoas que poderiam me ensinar alguma coisa”. Autodidata, mostra-se total, também recorre à construções filosóficas elaboradas: “A maior parte do trabalho no mundo é para eliminar um certo tipo de trabalho”, afirma, enunciando a seguir que “a burrice é derivada da preguiça de pensar”. Polêmico, direto e reto, sem medo de expor idéias ou histórias, cita exemplos de sua atuação no campo da arte-educação: “(um dia) a professora veio e reclamou que uma criança não ´tinha jeito´ e eu afirmei ´quem não tem jeito é a senhora´!”. Éder reitera suas palavras: “quando a gente entra na escola, lá é o microcosmo do mundo”. Sinaliza, contudo, um paradigma estabelecido, ao lembrar que “o professor também se tornou uma classe enquanto trabalhador, mas perdeu a noção de que o trabalho de educador tem outros valores”.
Há um certo delírio poético no ar. Uma vontade de aproveitar ao máximo as possibilidades de um momento único, quando as idéias entram em ebulição. O público presente aproveita e participa avidamente. Sueli Kimura, uma das administradoras da Casa Amarela, questiona qual é o papel do professor hoje, ao que Éder sinaliza com uma máxima que deve – ou, ao menos, deveria – nortear o trabalho daquele que trabalha com Educação:” o professor não é aquele que ensina mas aquele que ´cria´ problemas”, no sentido de não eliminar a discussão dialética no seio da sociedade. “Até mesmo porque o racionalismo imperante não vai dar conta de todas as questões”, finaliza.
Alexandre Santo, outro ouvinte participante, questiona sobre as terminologias ´mestres´ e ´aprendizes´, muito utilizadas no meio pedagógico. Éder rebate, “não gosto dessa hierarquização”. Punky emenda com outro exemplo: “já temos a cultura popular, no entanto, importamos palavras que não necessitamos: ´folk´ e ´lore´. Não há necessidade de nada disso”.
Helenir Marçal, mais uma das convidadas na platéia, pergunta “como individualizar o conhecimento se numa sala às vezes temos 40, 45 alunos?” Éder dá uma pista: “nesses casos, eu divido a sala em grupos, para facilitar a intermediação”. Aproveita outra questão suscitada por Sandra Frietha, poeta presente ao encontro, sobre a finitude do conhecimento esbarrando na grade curricular, e enuncia: “o modelo iluminista surgiu a partir da Reforma protestante. A escola hoje é laica, mas foi nascida dentro da Igreja reformada”. Neste momento é Punky quem o complementa: “tudo o que é área da atividade humana tá acontecendo por aí. Igual à Educação”.
As idéias fervilham e permitem uma profunda e respeitosa troca de saberes. Ao que o cético e concentrado Eder Lima preconiza, Punky apresenta o empirismo da ação. Quando este último dá as cartas, algumas com espírito vividamente anarquista, Éder busca na História, na Filosofia um refinamento teórico. Em outros momentos, acontece justmante o contrário. Éder nos traz a práxis, “o século XX seria o ´século do conhecimento´, mas foi o século das guerras e revoluções”. Ao que Punky, revelando-se também um afiado pensador anarquista, define “meu pai era índio, nunca me bateu;minha mãe era espanhola, ela me ´descia´ uma surra por dia”. Meios de expressão, segundo ele, de filosofias de vida adotadas culturalmente e que se justapõem na própria contradição, que é a vida que nos move.
Olho o relógio, o Blablablá chega a quase três horas ininterruptas de duração e as pessoas insistem em dialogar, questionar, inquirir, propor. Dá dó fechar o bate-papo mas prometemos (e nos comprometemos) a voltar no mês que vem, reencontrar o pessoal, e continuar na busca de caminhos para a construção de conhecimento soberano.
Acreditamos nisso.
Saio da Casa Amarela com Zulu (velho parceiro), sentido Casa de Farinha, para outro evento. No meio do caminho, encontro o velho anarquista em sua bike, no meio da noite escura, no corredor sentido Itaim Paulista. Passo por ele, que não me vê. Continuo trocando idéias com Zulu, mas dentro do carro reflito, “tá ali um cara cuja vida é a prática”. Acredito nele.
Escobar Franelas
Arte: Manogon
Adicionar legenda



terça-feira, 22 de outubro de 2013

18º Sarau da Casa Amarela


sarau da casa amarela recebe o
sarau literatura nossa de suzano

já faz alguns anos que eu ouvia falar muito no poeta
sacolinha mas ainda não tinha tido a oportunidade de
conhecê-lo pessoalmente apesar de até termos estado
juntos algumas vezes no mesmo evento e espaço mas
separados por alguns minutos de diferença, ou seja,
quando eu chegava ele já tinha saído e vice-versa, e
eu até ficava imaginando como seria sua aparência,
se branco, se negro, se jovem ou se velho e, por conta
disso, com o passar dos anos ele foi povoando meu
imaginário com a uma aura meio indefinida de figura
lendária. ontem – domingo, 20/10/2013, ele esteve no
sarau da casa amarela com seus companheiros do
sarau literatura nossa de suzano e pude finalmente, ao
vivo e a cores e em carne e osso, conhecer o lendário
poeta sacolinha e confirmar por alguns poemas que
ele falou para o povo da casa, todas as suas qualidades
de poeta extraordinário e ímpar cuja poesia simples
fala a linguagem direta do povo. também fiquei
surpreso e extremamente sensibilizado com a grande
poesia e musicalidade dos poetas e escritores do sarau
nossa literatura de suzano e com o seu adiantado nível
de organização e ações realizadas para resolver alguns
problemas cruciais e inerentes aos grupos de arte e
cultura que atuam nas periferias, que são questões
referentes ao resgate e registro dos trabalhos dos
artistas populares e a criação da sua memória, a
criação e a ocupação de espaços culturais e a criação
de público para os trabalhos desenvolvidos. exemplo
concreto disso é o vídeo literatura, mistura de poesia e
cinema que já está na 2º volume e promove o registro
de trabalhos de seis integrantes do literatura nossa, a
saber, os poetas e escritores sidney leal, débora garcia,
elisabete da silva, sacolinha, francis gomes e nelson
olavo, vídeo esse que ao ser exibido provocou tantos
comentários e discussões que alguém teve que lembrar
que ontem era dia do sarau e não do blábláblá. na
verdade acho que acabou sendo um blábláblá dentro do
sarau da casa amarela de onde saí com a convicção de
que devemos estudar a experiência do literatura nossa
de suzano para aprender alguns atalhos para resolver
muitos dos nossos problemas cotidianos.

Akira Yamasaki – 21/10/2013.

Débora Garcia

Sacolinha










Sidney Leal




Fotos: Lígia Regina