terça-feira, 22 de outubro de 2013

18º Sarau da Casa Amarela


sarau da casa amarela recebe o
sarau literatura nossa de suzano

já faz alguns anos que eu ouvia falar muito no poeta
sacolinha mas ainda não tinha tido a oportunidade de
conhecê-lo pessoalmente apesar de até termos estado
juntos algumas vezes no mesmo evento e espaço mas
separados por alguns minutos de diferença, ou seja,
quando eu chegava ele já tinha saído e vice-versa, e
eu até ficava imaginando como seria sua aparência,
se branco, se negro, se jovem ou se velho e, por conta
disso, com o passar dos anos ele foi povoando meu
imaginário com a uma aura meio indefinida de figura
lendária. ontem – domingo, 20/10/2013, ele esteve no
sarau da casa amarela com seus companheiros do
sarau literatura nossa de suzano e pude finalmente, ao
vivo e a cores e em carne e osso, conhecer o lendário
poeta sacolinha e confirmar por alguns poemas que
ele falou para o povo da casa, todas as suas qualidades
de poeta extraordinário e ímpar cuja poesia simples
fala a linguagem direta do povo. também fiquei
surpreso e extremamente sensibilizado com a grande
poesia e musicalidade dos poetas e escritores do sarau
nossa literatura de suzano e com o seu adiantado nível
de organização e ações realizadas para resolver alguns
problemas cruciais e inerentes aos grupos de arte e
cultura que atuam nas periferias, que são questões
referentes ao resgate e registro dos trabalhos dos
artistas populares e a criação da sua memória, a
criação e a ocupação de espaços culturais e a criação
de público para os trabalhos desenvolvidos. exemplo
concreto disso é o vídeo literatura, mistura de poesia e
cinema que já está na 2º volume e promove o registro
de trabalhos de seis integrantes do literatura nossa, a
saber, os poetas e escritores sidney leal, débora garcia,
elisabete da silva, sacolinha, francis gomes e nelson
olavo, vídeo esse que ao ser exibido provocou tantos
comentários e discussões que alguém teve que lembrar
que ontem era dia do sarau e não do blábláblá. na
verdade acho que acabou sendo um blábláblá dentro do
sarau da casa amarela de onde saí com a convicção de
que devemos estudar a experiência do literatura nossa
de suzano para aprender alguns atalhos para resolver
muitos dos nossos problemas cotidianos.

Akira Yamasaki – 21/10/2013.

Débora Garcia

Sacolinha










Sidney Leal




Fotos: Lígia Regina

domingo, 29 de setembro de 2013

Casa Amarela recebeu Adriana Rocha e Osvaldo Higa para mais um Blablablá

Higa e Rocha, duas fortalezas no 7º Blablablá


Difícil explicar o que foi o 7º Blábláblá na Casa Amarela, ontem, 28 de setembro. Talvez o tempo, ainda indeciso entre ser primavera ou inverno, talvez eventos demais (para público de menos) acontecendo ao mesmo tempo na região de São Miguel, talvez mesmo porque o debate sobre produção e distribuição no meio artístico e cultural ainda não seja considerado importante para os próprios produtores do lugar, talvez porque a tarefa primária para todos que estão trabalhando nessas fronteiras seja realmente a formação de público, fato é que pouco mais de uma dúzia de resistentes estiveram na Casa Amarela para este encontro.
Sinto dizer, mas quem não foi, perdeu.
Perdeu, antes de tudo, porque não pode ouvir a simpaticíssima Adriana Rocha e suas práticas para o escoamento de suas obras. Perdeu quem não pode prestigiar o lançamento de sua última obra, “V de Vagina – Sexo e Romance”, onde ela dá cor, sabor e aroma aos tons de cinza do mercado. Perdeu quem não pode ganhar o autógrafo da mesma, untado com um sorriso maroto que desamarra qualquer introspecção.
Também perdeu quem não pode perceber a fina ironia da inteligência de um mestre zen brasileiro, Osvaldo Higa. As lições de desprendimento, a coerência entre vida e arte, a busca constante pelo santo graal da arte traduzida em gesto e sensibilidade, fortalecem, corporificam e dão sentido à obra literária e jornalística do autor.
Os dois juntos, mais a participação aditiva da platéia ajudaram tanto na profusão de histórias, argumentos e sugestões, que congestionaram o HD neurônico desse escriba. A inquietação traduziu-se num caudaloso rio de idéias. E este aqui, em alguns momentos, senti-me num redemoinho que espanava todos os lugares-comuns da causa que militamos, a arte, a cultura, a educação, a sustentabilidade do planeta.
Adriana, que tanto escreve para o público infanto-juvenil quanto histórias, digamos, “para o público adulto” (lançou na CA seu último romance, que tem o significativo título “V de Vagina – Sexo e Romance”), respondeu a todas as perguntas “espinhosas” que lhe foram trazidas por conta da obra polêmica. Helenir Marçal, por exemplo, trouxe uma vivacidade única ao inquirir a autora, “quem tinha ensinado quem, se a autora à personagem, ou o contrário”, ao que Adriana confessou, “talvez eu tenha ensinado mais à Lívia (personagem), talvez...” Lendo a obra, fico em dúvida, parece-me que houve uma “troca” igualitária de experiências entre autora e personagem.
Higa – que também trouxe seu último livro, “Sujeito Oculto”, para ser lançado no evento – e igualmente bombardeado por perguntas de todos os lados, respondeu a todas com o mesmo desvelo. Depois de ler inicialmente um trecho de sua obra que remetia à mesma enunciação sexual do “V” de Adriana Rocha, ainda que com uma poeticidade muito peculiar, foi questionado, entre outras coisas, sobre o quanto o jornalismo influencia sua prosa. Confessou que é sabedor que a prática profissional fez com que sua ficção ganhasse tons enxutos e de objetividade natural. Apesar das poucas adjetivações típicas da escrita jornalística, seu trabalho, contudo, não retém o fluxo de signos que determinam uma certa exatidão generosa. Refletem assim um autor em pleno domínio de seu ofício.
Feitas as contas das mais de duas horas de conversa, arrisco dizer que, salvos as especifidades determinantes, Adriana Rocha e Osvaldo Higa apresentam diversas pontas de convergência em seus textos e suas trocas de idéias. Ambos revelam-se simpáticos, sempre bem longe do pedantismo que caracterizam muitos de nossos parceiros de letras. Os dois também primam pela clareza em suas letras. Tanto um como a outra praticam um texto que contempla todos os perfis de público, sem hermetismos desncessários ou exibicionismo semântico, escrevem bem e sem firulas, “apenas isso”. Por fim, em ambos residem a resistência de uma arte que não envelhece, antes se rejuvenesce em enredos bem pensados, tramados e exibidos. Para nosso deleite.
Definitivamente, o Blábláblá de ontem na Casa Amarela mostrou dois frutos maduros da moderna prosa tupiniquim. E quem não esteve lá, não pode fruir dessas e de outras gostosas degustações. A pasta de aliche, por exemplo, um mimo que Higa levou para a Casa, contribuiu também para fechar com chave de ouro mais um encontro de inteligências na zona leste de Sampalândia.

Um brinde na abertura, uma tradição da CA
Todo mundo atento às palavras dos convidados
Mediação de "havaianas"
texto de Escobar Franelas
fotos de Célia Yamasaki e Sueli Kimura

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

luka, alegria no 17º sarau da casa amarela





luka, alegria no 17º sarau da casa amarela

luka magalhães foi prejudicado em sua passagem pelo
sarau da casa amarela, no último domingo – 22/09, em
que ele era o convidado especial e atração principal, por
três motivos: primeiro porque o seu sarau veio na
seqüência direta de dois eventos realizados em parceria
com a casa de farinha, a saber, o lançamento do cd o
cantar da poesia, de mauri noronha, em 14/09, e o
lançamento de cardume, livro de poesias de carlos
moreira, em 20/09, e por isso não pudemos dispensar a
devida atenção para divulgar e dar a visibilidade que
luka merecia, ou seja, casa de ferreiro espeto de pau,
como ele é prata da casa, os holofotes ficaram para os
convidados que vieram de longe. segundo porque a data
do sarau encavalou com os eventos de comemoração do
aniversário de são miguel paulista, com palcos armados
em várias praças do bairro onde quase todos os artistas
parceiros da casa amarela estavam se apresentando, o
que de certa forma esvaziou o nosso sarau e, inclusive
sobre isso, na sexta mesmo conversamos no lançamento
de cardume na casa de farinha, eu, luka e escobar sobre
conveniência de um adiamento do sarau mas resolvemos
manter a data. terceiro porque de última hora, já no
sábado, foi confirmada a presença no sarau, da poeta e
escritora eliana mara chiossi, fundadora do mpa e uma
das pessoas mais queridas e reverenciadas por todos que
estava chegando de porto alegre para um razante de dois
dias em sampa e de novo tivemos que desviar a rota dos
holofotes do nosso convidado especial, o poeta, contista
e dramaturgo luka magalhães que, aliás, aceitou a
situação numa boa e até com bom humor - ofuscado eu
sou é pelo sol todos os dias, ele disse, o que me deu uma
dica do principal conceito que dominou a apresentação de
luka no sarau, o humor no sentido do bom humor, o tipo
de humor no sentido da teatralidade e da comédia de
costumes, um humor às vezes áspero e ácido sobre as
pequenas tragédias do cotidiano, um humor que às vezes
soa simples e quase infantil sobre as grandes mazelas que
pesam sobre os destinos do país e, principalmente, um
humor que ensina que é preciso ter bom humor sempre se
quisermos seguir em frente. se não fosse esse bom humor
de luka magalhães tenho dúvidas se o 17º sarau da casa
amarela terminaria com a alegria contagiante comprovada
pelas fotos postadas a seguir.

akira – 25/09/2013
 












fotos: Ligia Regina

flayer: Manogon (Manoel Gonçalves)

terça-feira, 24 de setembro de 2013

eliana mara chiossi emociona o 17º sarau da casa amarela



na 6ª feira – 20/09, na casa de farinha, no lançamento
de cardume, livro de poemas de carlos moreira, eu disse
no início do evento que neste fim de semana, são miguel
paulista iria se transformar na capital mundial da poesia,
devido à sua presença entre nós, e da escritora e poeta
genial adriana brunstein que tão generosamente atendeu
convite para vir à são miguel para a festa do cardume.
mal sabia eu o quão proféticas eram minhas palavras, pois
como que para reiterar a minha previsão, quando cheguei
do serviço sábado à noite e abri o facebook encontrei uma
mensagem inbox da minha comadre lígia regina dizendo
que eliana mara chiossi, arregalei os olhos e me belisquei
para comprovar que não estava sonhando, que minha doce
e querida amiga eliana mara chiossi, uma das maiores
poetas e escritoras que eu conheço, chegaria ontem do rio
para um razante de dois dias em sampa e já confirmara
presença no 17º sarau da casa amarela que faríamos de
tarde. dizer que fiquei louco com a notícia é pouco, um
filme passou pela minha cabeça e fui arremessado ao ano
de 1978 quando eliana chegou ao movimento popular de
arte, o mpa, no pacote do TeRua, grupo de teatro que era
formado por cláudio gomes da costa, severino do ramo,
sueli kimura e reinaldo rodrigues, dentre outros, todos
muito jovens na época e em seus olhos queimava o fogo
das revoluções. eliana, a li, era a mais jovem do grupo,
devia ter quinze anos no máximo, e lembro como se fosse
hoje que seu talento para a escrita e para o palco era
assustadoramente precoce e quando ela falava os
marmanjos do mpa ficavam pianinho. e quando eliana
mara chiossi chegou à casa amarela ontem até o sol que
andava arisco entendeu e mostrou a cara para saudar a
sua chegada e foram emocionantes os reencontros com
velhos amigos como ceciro cordeiro, sueli kimura, zulu de
arrebatá, sacha arcanjo, josé vicente de lima, éder lima,
lígia regina, edmirson facú e joão caetano do nascimento,
dentre outros, e durante uma boa meia hora ela ocupou o
palco da casa amarela com a autoridade de quem fundou
e construiu a resistência cultural nos anos 1970 e 1980 no
mpa e aprendeu a fazer arte no meio do povo, nas ruas e
praças de são miguel paulista e por uma boa meia hora
ela emocionou a todos falando seus poemas, cantando as
suas canções e contando as suas histórias. e tudo com a
mesma ternura, doçura e frescor de quando ela tinha
quinze anos de idade.

akira – 23/09/2013.























fotos: Sueli Kimura/Célia Yamasaki/Akira Yamasaki